{"id":731,"date":"2020-10-20T11:42:35","date_gmt":"2020-10-20T14:42:35","guid":{"rendered":"http:\/\/sermulheremtech.com.br\/?p=731"},"modified":"2025-08-22T11:24:54","modified_gmt":"2025-08-22T11:24:54","slug":"a-ti-e-transformadora-mas-faltam-referenciais-para-as-meninas-sairem-do-binomio-casamento-e-casa-explica-melissa-cozono-arquiteta-de-dados-da-boa-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/a-ti-e-transformadora-mas-faltam-referenciais-para-as-meninas-sairem-do-binomio-casamento-e-casa-explica-melissa-cozono-arquiteta-de-dados-da-boa-vista\/","title":{"rendered":"Melissa Cozono &#8211; Arquiteta de dados da Boa Vista"},"content":{"rendered":"<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"731\" class=\"elementor elementor-731\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-32157c66 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no\" data-id=\"32157c66\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-747da940\" data-id=\"747da940\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3ec6df20 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3ec6df20\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n<h2>\u201cA TI \u00e9 transformadora, mas faltam referenciais para as meninas sa\u00edrem do bin\u00f4mio casamento e casa\u201d, explica Melissa Cozono, arquiteta de dados da Boa Vista<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu nome \u00e9 Melissa, tenho 39 anos, e trabalho h\u00e1 25 anos com TI em uma hist\u00f3ria cheia de altos e baixos, mas principalmente com muitos aprendizados que tenho a honra de compartilhar aqui com voc\u00eas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fam\u00edlia da minha m\u00e3e \u00e9 de origem muito pobre. Dos seis irm\u00e3os, apenas meu tio conquistou um diploma superior de Engenharia Mec\u00e2nica. Esse tio, ali\u00e1s, foi minha principal refer\u00eancia e incentivo para ingressar na \u00e1rea de tecnologia. Ele via que meu irm\u00e3o e eu t\u00ednhamos facilidade para mexer com computador, porque jog\u00e1vamos muito videogame em casa.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando t\u00ednhamos uns 14 anos, minha m\u00e3e trabalhava como gerente de uma escola de inform\u00e1tica famosa na \u00e9poca, a Data Control. O coordenador a incentivou colocar meu irm\u00e3o e eu na tecnologia. Ent\u00e3o, eu comecei a cursar Corel Draw, Photoshop, e trabalhei na Secretaria de Ensino da escola. Cheguei ao ponto at\u00e9 de dar aulas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comecei meus primeiros passos na programa\u00e7\u00e3o aos 16 anos. Estudei tamb\u00e9m com meu irm\u00e3o montagem de computador. N\u00e3o tinha o intuito de ganhar dinheiro, era apenas para divertimento e aprendizado. Mas tivemos problemas financeiros em casa e eu comecei a trabalhar como suporte t\u00e9cnico para ajudar.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com mais ou menos 20 anos, fui trabalhar no suporte t\u00e9cnico do Unibanco 30 horas. Trabalhei tamb\u00e9m em uma Central de Atendimento que n\u00e3o tinha quase mulheres. Minha primeira refer\u00eancia profissional feminina foi minha professora de l\u00f3gica de programa\u00e7\u00e3o em C na FASP, uma faculdade muito boa que, infelizmente, n\u00e3o existe mais. Ela era formada em F\u00edsica, mestranda e trabalhava no Laborat\u00f3rio da USP. Foi com ela que eu realmente me tornei profissional de tecnologia.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu ex-marido tamb\u00e9m trabalhava na \u00e1rea e \u00e9ramos parceiros, mas quando fui trabalhar na mesma consultoria que ele, percebi que era a sua sombra e n\u00e3o tinha um brilho pr\u00f3prio. Tinha a \u201cs\u00edndrome da impostora\u201d e isso me atrapalhou muito. O que sempre me ajudou foi a minha compet\u00eancia t\u00e9cnica. Nisso, eu era uma das melhores em todos os lugares por onde passava.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio de 2009, recebi uma oportunidade para ser gerente da \u00e1rea de Qualidade de Dados em uma Telecom. Depois de uns anos, eu ocuparia o lugar de um gerente que j\u00e1 tinha um hist\u00f3rico muito forte de ass\u00e9dio moral. Nessa troca de cadeiras, fui demitida e ouvi a frase de que \u201ceu era mulher, e lugar de mulher \u00e9 na cozinha\u201d. Abri reclama\u00e7\u00e3o no comit\u00ea de \u00e9tica, mas n\u00e3o tive resposta, porque j\u00e1 n\u00e3o era mais funcion\u00e1ria.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste per\u00edodo, o CEO da Telecom que saiu de l\u00e1 e me levou junto para fazermos integra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica em uma outra empresa. Estava bom, mas eu trabalhava 16 horas por dia. Estava obesa, pr\u00e9-diab\u00e9tica, deprimida. Meu marido me prop\u00f4s parar. Foi quando viajei para os Estados Unidos acompanhando meu companheiro, mas voltei para o Brasil em 2015 j\u00e1 separada.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tentei empreender, mas n\u00e3o deu certo. Reencontrei meu primeiro namorado e acabamos nos casando. Comecei a trabalhar no SPC Brasil como Administradora de Dados. L\u00e1, conheci mulheres, colegas de trabalho, come\u00e7amos a nos juntar e ter essa rela\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia feminina. Fiquei gr\u00e1vida nesta \u00e9poca, e ap\u00f3s ter tido minha filha prematura, com v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es, comecei a ver a qu\u00e3o forte e capacitada eu era. A maternidade me mostrou uma faceta minha que eu n\u00e3o conhecia.\u00a0<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, fui chamada para trabalhar no Fleury. Fiquei gr\u00e1vida novamente e pensei que seria demitida. Mas fui muito bem recebida! Ter um ambiente acolhedor nas empresas para mulheres faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente sou <strong>arquiteta de dados na Boa Vista<\/strong> e estudo Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o, curso este come\u00e7ado muitos anos atr\u00e1s na FASP. Formo-me ano que vem em Tecnologias de Big Data e planejo fazer mestrado em Dados. Quero tamb\u00e9m poder ensinar e ajudar outras meninas a desenvolver a parte l\u00f3gica, e principalmente aconselhar \u201cn\u00e3o acreditem no que falam, somos mais do que isso\u201d.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebam quantos \u201cn\u00e3os\u201d tomamos por ser mulher. A falta de refer\u00eancias, a inibi\u00e7\u00e3o do seu brilho pr\u00f3prio, faz parte da vida das meninas principalmente nas fam\u00edlias mais pobres. Elas n\u00e3o t\u00eam vis\u00e3o de que a mulher pode escolher n\u00e3o casar e ter filho cedo, que pode e deve ser algo mais, fazer faculdade, ter uma profiss\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos que mostrar ao mundo que precisamos sim de mulheres na TI, elas s\u00e3o boas em exatas, elas podem ser m\u00e3es, podem o que elas quiserem. N\u00f3s somos diferentes, enxergamos o mundo plural, nossos trabalhos, nossas fam\u00edlias, nossos filhos, nos impelem a ser melhores e colaborar para uma sociedade mais justa.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais sobre <\/strong><strong>Melissa Cozono<\/strong><strong>, veja seu LinkedIn:<\/strong><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">https:\/\/www.linkedin.com\/in\/melissacozono\/<\/p>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA TI \u00e9 transformadora, mas faltam referenciais para as meninas sa\u00edrem do bin\u00f4mio casamento e casa\u201d, explica Melissa Cozono, arquiteta de dados da Boa Vista Meu nome \u00e9 Melissa, tenho 39 anos, e trabalho h\u00e1 25 anos com TI em uma hist\u00f3ria cheia de altos e baixos, mas principalmente com muitos aprendizados que tenho a honra de compartilhar aqui com voc\u00eas. A fam\u00edlia da minha m\u00e3e \u00e9 de origem muito pobre. Dos seis irm\u00e3os, apenas meu tio conquistou um diploma superior de Engenharia Mec\u00e2nica. Esse tio, ali\u00e1s, foi minha principal refer\u00eancia e incentivo para ingressar na \u00e1rea de tecnologia. Ele via que meu irm\u00e3o e eu t\u00ednhamos facilidade para mexer com computador, porque jog\u00e1vamos muito videogame em casa. Quando t\u00ednhamos uns 14 anos, minha m\u00e3e trabalhava como gerente de uma escola de inform\u00e1tica famosa na \u00e9poca, a Data Control. O coordenador a incentivou colocar meu irm\u00e3o e eu na tecnologia. Ent\u00e3o, eu comecei a cursar Corel Draw, Photoshop, e trabalhei na Secretaria de Ensino da escola. Cheguei ao ponto at\u00e9 de dar aulas. Comecei meus primeiros passos na programa\u00e7\u00e3o aos 16 anos. Estudei tamb\u00e9m com meu irm\u00e3o montagem de computador. N\u00e3o tinha o intuito de ganhar dinheiro, era apenas para divertimento e aprendizado. Mas tivemos problemas financeiros em casa e eu comecei a trabalhar como suporte t\u00e9cnico para ajudar. Com mais ou menos 20 anos, fui trabalhar no suporte t\u00e9cnico do Unibanco 30 horas. Trabalhei tamb\u00e9m em uma Central de Atendimento que n\u00e3o tinha quase mulheres. Minha primeira refer\u00eancia profissional feminina foi minha professora de l\u00f3gica de programa\u00e7\u00e3o em C na FASP, uma faculdade muito boa que, infelizmente, n\u00e3o existe mais. Ela era formada em F\u00edsica, mestranda e trabalhava no Laborat\u00f3rio da USP. Foi com ela que eu realmente me tornei profissional de tecnologia. Meu ex-marido tamb\u00e9m trabalhava na \u00e1rea e \u00e9ramos parceiros, mas quando fui trabalhar na mesma consultoria que ele, percebi que era a sua sombra e n\u00e3o tinha um brilho pr\u00f3prio. Tinha a \u201cs\u00edndrome da impostora\u201d e isso me atrapalhou muito. O que sempre me ajudou foi a minha compet\u00eancia t\u00e9cnica. Nisso, eu era uma das melhores em todos os lugares por onde passava. No in\u00edcio de 2009, recebi uma oportunidade para ser gerente da \u00e1rea de Qualidade de Dados em uma Telecom. Depois de uns anos, eu ocuparia o lugar de um gerente que j\u00e1 tinha um hist\u00f3rico muito forte de ass\u00e9dio moral. Nessa troca de cadeiras, fui demitida e ouvi a frase de que \u201ceu era mulher, e lugar de mulher \u00e9 na cozinha\u201d. Abri reclama\u00e7\u00e3o no comit\u00ea de \u00e9tica, mas n\u00e3o tive resposta, porque j\u00e1 n\u00e3o era mais funcion\u00e1ria. Neste per\u00edodo, o CEO da Telecom que saiu de l\u00e1 e me levou junto para fazermos integra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica em uma outra empresa. Estava bom, mas eu trabalhava 16 horas por dia. Estava obesa, pr\u00e9-diab\u00e9tica, deprimida. Meu marido me prop\u00f4s parar. Foi quando viajei para os Estados Unidos acompanhando meu companheiro, mas voltei para o Brasil em 2015 j\u00e1 separada. Tentei empreender, mas n\u00e3o deu certo. Reencontrei meu primeiro namorado e acabamos nos casando. Comecei a trabalhar no SPC Brasil como Administradora de Dados. L\u00e1, conheci mulheres, colegas de trabalho, come\u00e7amos a nos juntar e ter essa rela\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia feminina. Fiquei gr\u00e1vida nesta \u00e9poca, e ap\u00f3s ter tido minha filha prematura, com v\u00e1rias complica\u00e7\u00f5es, comecei a ver a qu\u00e3o forte e capacitada eu era. A maternidade me mostrou uma faceta minha que eu n\u00e3o conhecia.\u00a0 Depois, fui chamada para trabalhar no Fleury. Fiquei gr\u00e1vida novamente e pensei que seria demitida. Mas fui muito bem recebida! Ter um ambiente acolhedor nas empresas para mulheres faz toda a diferen\u00e7a. Atualmente sou arquiteta de dados na Boa Vista e estudo Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o, curso este come\u00e7ado muitos anos atr\u00e1s na FASP. Formo-me ano que vem em Tecnologias de Big Data e planejo fazer mestrado em Dados. 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Para saber mais sobre Melissa Cozono, veja seu LinkedIn: https:\/\/www.linkedin.com\/in\/melissacozono\/<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ser-mulher-em-tech"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4558,"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/731\/revisions\/4558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sermulheremtech.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}